a paramiloidose-Site oficial da Associação Portuguesa de Paramiloidoise
 
 
 
   

    

                                                                                

AS VIAGENS DE UM GENE

A História das migrações

Da Paramiloidose no mundo

1989

 

Esta edição foi publicada para acompanhar a exposição « As Viagens de um Gene» aquando do 1º International Symposium on Familial Amyloidotic Polineuropathy and Other Transthyretin Related Disorders

 

Esta é a história possível das viagens de um gene mutante português. Pressupõe que a mutação teve uma origem única, o que não está ( ainda ?) demonstrado.

Todas as ligações propostas são puras hipóteses, embora sugeridas por elos históricos conhecidos. Para nenhuma há portanto provas.

Nos jogos do acaso que determinam a implantação de uma doença autossómica dominante, pode mesmo ser ousado evocá-las.

Demonstrada está apenas a presença do gene que condiciona a Paramiloidose em terras distantes, muitas delas ligadas a Portugal em várias fases da sua história.

Esta exposição tenta também ilustrar o facto de, nos diversos países onde existem focos da paramiloidose, a presença desta terrível doença ter levado a um particular desenvolvimento da sua investigação. Os progressos que, na última década, se verificaram no conhecimento da Paramiloidose trazem consigo a esperança do seu próximo controle.

A PARAMILOIDOSE

A mutação e o erro bioquímico

Um gene, localizado no cromossoma 18, sofreu um dia uma mutação, passando a transmitir uma informação errada.

Vários orgãos (fígado, plexos coroideus, retina) fabricam em consequência uma proteína ligeiramente diferente da normal, com uma simples troca de um aminoácido por outro num ponto da sua molécula. É a TTR Met 30, o indicador da presença do gene errado, também chamado mutante.

Existem vários métodos de detectar a sua presença, desde o nascimento, no sangue dos indivíduos que o receberam. Assim se pode saber quem são os transmissores da doença (e possíveis futuros doentes).

Aparentemente, as funções conhecidas da TTR- transportar vitamina A e uma das hormonas da tiróide – não são perturbadas por este erro.

Mas dois fenómenos acontecem já na idade adulta:

- A TTR MET 30 deposita-se sob a forma de uma substância anormal, a substância amilóide, em quase todos os tecidos do organismo.

- O portador do gene errado pode desenvolver uma terrível doença, a Paramoloidose.

O que sabemos sobre a paramiloidose

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Não se sabe ainda qual dos factos descritos provoca a degenerescência dos nervos periféricos que está na base da doença:

- a substancia amilóide?

-2 a TTR Met 30?

- ou a falta de TTR normal?

T2ambém se desconhece o mecanismo que desencadeia o aparecimento da doença em idades tão variáveis. Há até indivíduos que possuem o gene mutante e nunca chegam a ter manifestações clínicas da paramiloidose: são chamados portadores assintomáticos (conhecem-se alguns com mais de 80 anos, saudáveis, cujos filhos já morreram com a doença).

Como se transmite a paramiloidose

A paramiloidose é uma doença que é transmitida de pais para filhos dum modo chamado «autossómico dominante». Assim, um dos pais teve de receber o gene alterado que condiciona a doença. Cada filho de um doente tem por sua vez 50% de probabilidade de herdar esse gene. Alguns aparentes saltos de geração são explicados por portadores assintomáticos.

 

A idade de inicio

Em Portugal, a Paramiloidose é uma doença que atinge essencialmente o adulto jovem (a idade média de início é de 31 anos). É curioso assinalar que este é o ponto em que há maior variação em relação a outros focos da doença.

Na Suécia predominam os casos tardios (média de inicio 59 anos) enquanto que Maiorca ocupa uma posição intermédia (média de inicio 46 anos).

Homens e mulheres são igualmente atingidos.

Evolução

Aos primeiros sintomas, outros se vão juntando e todos se vão agravando ao longo do tempo, embora o ritmo de progressão varie de caso para caso. Os casos de inicio tardio tendem a ter uma evolução mais benigna.

As manifestações da doença

Todas as manifestações da Paramiloidose traduzem a degenerescência progressiva dos nervos, estruturas que regulam o funcionamento de todos os orgãos do corpo.

Quando mais longos forem os troncos nervosos mais precocemente serão atingidos e sempre começando nas extremidades. Como uma árvore que atingida no seu tronco, começa a secar pelas partes mais afastadas dos seus ramos.

Os primeiros sintomas  surgem ao nível dos pés e vão progredindo nos membros inferiores em sentido proximal. Mais tarde as mãos, e depois a totalidade dos membros superiores são envolvidos dos membros superiores são envolvidos. Há vários tipos de fibras nervosas que vão sendo atingidas pela doença:

Fibras autonómicas

A sua lesão é responsável por inúmeras manifestações:

Olhos: Surgem opacidades do vítreo, diminuição das lágrimas que leva a úlceras da córnea e glaucoma, tudo isto acarretando diminuição da visão.

Aparelho cardio-vascular: Podem aparecer perturbações da condução cardíaca com desmaios, síncopes e risco de morte por paragem cardíaca se não forem detectadas a tempo. Os doentes têm também baixa da tensão arterial, sobretudo na posição de pé.

Tubo digestivo: Más digestões, vómitos, dificuldade em engolir e, sobretudo, alte2rnativa de obstipação e diarreia, com diarreias contínuas e incontinência nas fases avançadas.

Aparelho genito-urinário: Impotência nos homens, frigidez nas mulheres, associadas a incontinência de urina. Há também riscos de infecções urinárias de repetição que podem levar a insuficiente renal.

Fibras sensitivas

Perda progressiva da sensibilidade, primeiro à dor e temperatura, depois para todos os tipos de sensibilidade.

Fibras motoras

A doença acarreta dificuldade progressiva na marcha e, mais tarde, na utilização das mãos, até à incapacidade quase completa.

DR. CORINO DE ANDARADE

     

        Tenho visto muito entendido muito o

                                        [que tenho visto

        E há um certo prazer até no cansaço

                                        [que isto nos dá

                                           

                                         Fernando Pessoa

A Formação

O Dr. Corino Andrade nasce em Moura, em 1906. A família vai viver para Beja, onde faz a escola Primária e o Liceu. De 1922 a 28 frequenta em Lisboa a Faculdade de Medicina.

Em 1929 estagia no serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria de Lisboa onde encontra Egas Moniz e inicia a aprendizagem de Neurologia sob a orientação de António Flores.

Entre 1930 e 38 trabalha na Clínica Neurológica da faculdade de Medicina de Estrasburgo dirigida pelo Prof. A. Barré, primeiro como assistente voluntário e depois como chefe de clínica. Assume mais tarde o cargo de chefe de Laboratório de Neuropatologia. Em 1936 frequenta em Berlim o Laboratório de Oscar e Cecile Vogt de quem se torna amigo.

O Serviço de Neurologia

Em 1938 regressa a Portugal e chega ao Porto onde lhe é permitido trabalhar no Hospital Psiquiátrico do Conde Ferreira. Durante meses ocupa-s2e da enfermaria dos «imundos e agitados» e encarrega-se de reorganizar a biblioteca.

No mesmo ano começa a trabalhar, a título gratuito, no Hospital de Santo António. Aqui encontra o seu primeiro colaborador, Dr. João Resende, que o vai acompanhar até 1976. Começa então a construção do Serviço de Neurologia, o primeiro da cidade, que dirigiu até à sua reforma em 1976, por limite de idade. Durante este período, a partir do referido Serviço diferenciam-se outros Serviços2, tais como a Neurocirurgia, neurofisiologia

Neurorradiologia, Reanimação Respiratória e o Laboratório de Neuropatologia. Apesar de estar já afastado do trabalho hospitalar, vai orientar a fundação de uma nova Escola de Medicina – o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

A descoberta da Paramiloidose

Em 1939 observa o primeiro doente com Paramiloidose que lhe conta que na sua família e na sua terra, Póvoa de Varzim, existem muitos casos semelhantes. Com a ajuda do Dr. Américo Graça, que lhe selecciona os doentes, desloca-se uma vez por semana à Póvoa de Varzim, pa2ra os observar.

A procura de uma etiologia

Os anos seguintes são de estudo e reflexão, procurando eliminar algumas hipóteses de diagnóstico, tais como lepra, avitaminoses, toxicoses, e certas afecções degenerativas hereditárias como a «siringomielia baixa familiar». Chega assim à «amiloidose dos nervos». Em 1951 e 52 publica os primeiros artigos sobre a Paramiloidose.

Fundação do Centro de Estudos de Paramiloidose

Em 1960 é criado o Centro de Estudos da Pramiloidose de tipo Português. Em 1972 dá-se a sua integração no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, passando a funcionar no serviço de Neurologia do Hospital Geral de Santo António.

A investigação no Centro de Estudos de Paramiloidose

Ao longo de quase 30 anos, vão sendo aprofundados diversos aspectos da doença, nas várias especialidades a que diz respeito, para além da Neurologia: Cardiologia, Genética, Nefrologia, Neuropatologia. Mas o trabalho mais importante faz-se no campoda bioquímica, com o estudo da substância amilóide e, mais tarde, com a descoberta do seu precursor a TTR Met 30, o marcador genético da Paramiloidose, através da investigação  dos  Drs.  Pinho  Costa   e  Maria

João Saraiva.…..aiva...a e Maria joescoberta do seu precursor a TTR Met 30, o spital Geral de Santo Antonio.

 

 Continuar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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