
Acerca da investigação, Corino de Andrade disse um dia.
"É na investigação, na vivência dos problemas, que se formam os homens capazes de resolverem os problemas que surgem.A educação livresca, meramente informativa, gera pedantes da cultura, incapazes de enfrentarem o caso concreto, o caso vivido; homens que sabem tudo, mas que chamados um dia a solucionar e a prever, fogem diante das dificuldades com rasgos de erudição, burocratizando a vida e comprometendo assim o futuro de muitas gerações.[...]
A investigação científica tem ainda uma função pedagógica. Fazer observar, reflectir sobre os
dados da observação, formular hipóteses de trabalho baseadas sobre esses dados, subir às generalizações mais abstractas, mergulhar na vida e encontrar nela os estímulos e sugestões para novos problemas. [...]"
Investigador Pioneiro da Polineuropatia Amiloidótica Familiar
O decano dos neurologistas portugueses Mário Corino da Costa Andrade, alentejano de Moura, viveu a infância e adolescência em Beja.
Estudou Medicina em Lisboa, onde depois estagiou com António Flores. Na década de trinta trabalhou com Barré em Estrasburgo e com o casal Cécile e Oskar Vogt em Berlim. No final da década, regressou a Portugal. Optou pelo Porto, trazendo a Neurologia ao Hospital Geral de Santo António.
O Dr. Corino de Andrade, com a colaboração do jovem internista Dr. João Resende, criou o Serviço de Neurologia, diferenciando-o progressivamente em diferentes áreas de conhecimento (neurologia, neuropatologia, neurocirurgia, neurofisiologia, neurorradiologia, neuroquímica). Promoveu o início da reanimação respiratória da neuroanestesia e, mais tarde, criou o Centro de Estudos de Paramiloidose. Nos anos 40 a 60, trabalharam com o Dr. Corino de Andrade, em Neurologia ou áreas afins, os Drs. Pereira Guedes, Jorge Campos, Castro Alves, António Coimbra, Manuel Canijo, Rocha Melo, Leão Ramos, Paulo Mendo, Luís de Carvalho, Castro Lopes, Silva Araújo, Armando Pinheiro, Serafim Paranhos, Almeida Pinto, Cândida Maia, Paula Coutinho e Pedro Pinho Costa.
Reformou-se do Serviço de Neurologia do Hospital de Santo António em 1976. Nessa época, com Ruy Luís Gomes e Nuno Grande, criou o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto.
Corino de Andrade foi um investigador clínico de excelência em doenças neurológicas hereditárias. O seu artigo A peculiar form of peripheral neuropathy: familial atypical generalized amyloidosis with special involvement of peripheral nerves (Brain 1952, 75: 408-427) continua a ser a obra portuguesa mais citada na literatura científica internacional.
Corino de Andrade faleceu em 16 de Junho de 2005, no Porto, uma semana depois de ter completado 99 anos de idade.