Núcleo de Esposende
22 Doentes já estão transplantados''

Presidente do Núcleo Enf.ª Leonor, aquando da recepção aos seus colegas, vindos de todo o País.

A nossa Enf.ª Professora Cândida, sempre bem disposta, durante os trabalhos realizados na reunião de Núcleos.

Dr. Aristides e a Enf.ª Evelina, um trabalho atento e importante, em benefício dos doentes do Concelho de Esposende e dos Concelhos do Alto Minho.

O Presidente da Assembleia Geral, António Machado e o seu amigo Luís Menina, dois dirigentes que trazem uma mais valia à APP.
O Encontro Nacional de Núcleos realizado no passado mês de Setembro, numa unidade hoteleira deste concelho, foi um dos pontos mais altos na curta história deste núcleo.
Para nós, o tema mais importante debatido nessa reunião foi a prescrição de medicamentos genéricos, sem se respeitarem os cuidados que têm que existir sempre que se substituir a medicação, atendendo aos problemas de rejeição que podem surgir. Não é admissível que seja imposta qualquer mudança, sem um estudo prévio da adaptação ao medicamento ou, pelo menos, sem haver recurso a um curto período de internamento hospitalar, cumprindo uma vigilância criteriosa dos doentes sujeitos a essa mudança. Resumindo: um doente transplantado é acompanhado pelo seu médico de transplante de uma forma rigorosa, razão pela qual, quando um genérico não é prescrito, os farmacêuticos nunca o devem recomendar.
É interessante que, tendo sido levantado este problema, posteriormente surgiu-nos mais uma questão grave, relacionada com a prescrição de medicamentos aos nossos doentes, especificamente, com a aplicação do despacho n.º 4521/2001.
De facto, esse despacho proporciona aos doentes de paramiloidose a possibilidade de obterem toda e qualquer medicação de que necessitem com o desconto de 100%, desde que pertençam ao Serviço Nacional de Saúde. Aparentemente tal benefício parece ser extensivo a toda a população mas, de facto, embora todo e qualquer cidadão possa inscrever-se no Serviço Nacional de Saúde, todos os que já estejam inscritos em algum sub-sistema (ADSE, ADMG, SAD-PSP, Ministério da Justiça,...) ficam com essa anotação no cartão de utente e, sendo observado o estrito cumprimento da Lei, não têm direito ao beneficio dos 100% de desconto, mas apenas ao desconto que o respectivo sub-sistema lhes concede.
Todos diferentes, todos iguais, ou portugueses de primeira e portugueses de segunda?
Tenhamos em conta que a um funcionário público não é dada a opção de escolher o sistema de assistência na doença, sendo obrigado a, de forma automática, aderir ao respectivo sub-sistema, para o qual efectua descontos. Lamentavelmente, a mais elementar liberdade não é respeitada, pois, mesmo que posteriormente se opte pelo recurso e inscrição no Serviço Nacional de Saúde, a opção obrigatória que outros fizeram por nós fica como uma nódoa indelével, nunca permitindo o pleno usufruto de todos os beneficios do Serviço Nacional de Saúde.
No caso específico dos nossos doentes pode-se perguntar aos decisores políticos se, por exemplo, um contínuo de um estabelecimento de ensino (ADSE - 0%, 60%, 80% de comparticipação) toma menos medicamentos que um advogado (SNS - 100% de comparticipação). Alguém nos pode esclarecer se todos temos a mesma doença, independentemente da entidade empregadora? Ou estão alguns a pagar pelos abusos que se sabe foram cometidos por doentes em nome de quem eram prescritos medicamentos e produtos para todos os familiares?
Não se alarmem, pode ser apenas uma questão de esquecimento de que os nossos doentes podem e devem ter os mesmos direitos que, por exemplo, os doentes de lúpus ou os hemofílicos, independentemente do sub-sistema a que sejam obrigados a pertencer.
Quanto às actividades específicas deste núcleo, verificou-se uma mudança de postura face aos doentes. Durante algum tempo optou-se por fazer deslocar à sede os doentes que mantivessem alguma autonomia, a fim de levantarem os alimentos que lhes eram atribuídos, em função das doações do Banco Alimentar Contra a Fome, e do grau de necessidade. A avaliação posterior deste procedimento demonstrou que se perdeu algum contacto, não apenas com os doentes mas, essencialmente, com as condições de vida e sócio-económicas dos agregados familiares. O contacto pessoal com os nossos doentes no seu ambiente familiar dá-nos um conhecimento mais real das diversas situações e, consequentemente, permite-nos o desenvolvimento da nossa actividade de uma forma mais assertiva.
Assim, começou-se por prestar esses cuidados domiciliários em algumas visitas, efectuaram-se contactos com doentes recentemente transplantados, puseram-se esses doentes em contacto com candidatos inscritos para futuro transplante, avançou-se com a elaboração das árvores genealógicas, em suma, desenvolveu-se uma cultura de confiança e familiaridade que, para já, se traduz em vantagens mútuas.
E que tal fecharmos com chave de ouro? Sabem quantos doentes residentes no concelho já foram transplantados este ano? Quem adivinha? Quatro. Num total de quarenta e oito doentes identificados, vinte e dois já estão transplantados!
Parabéns aos doentes e imensa gratidão aos profissionais das Unidades de Transplante.
O Núcleo de Esposende
Sede: Rua Bombeiros, 27 B - 4740-291 Esposende - Telefone: 253 966 778 - Enf.ª Leonor