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Comentário/Conclusão
 
            Em 1404, já Matosinhos era referida como uma localidade detentora de um grande centro de pesca. As circunstâncias de se encontrar nas proximidades do burgo portuense, o mais importante núcleo populacional e mercantil do País, de possuir um porto seguro e abrigado e outras condições excelentes, contribuíram para que, já no reinado de D. Sancho I, naquela zona se pescasse activamente sardinha e carapau.
            Ao longo dos séculos subsequentes esta actividade não deixou de se desenvolver.
            A mão-de-obra era insuficiente e foi necessário recorrer aos pescadores de fora de terra: da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde, onde os havia em qualidade e abundância, e de todo o litoral do País e até provenientes da Galiza. Para se avaliar, ainda hoje, a importância de Matosinhos no quadro da actividade piscatória nacional, refere-se, a título de exemplo, que existem sedeadas nesta cidade 15 empresas de armadores, enquanto em Aveiro existe uma, em Ílhavo, duas, e em Vila Nova de Gaia, uma.
 
            É de presumir que estes fluxos migratórios se possam perder nos tempos, propiciando a difusão do gene letal.
            Em abono desta presunção poderá vir um estudo de casamentos, no período de 68 anos, entre 1542 e 1610: em 310 casamentos realizados na Póvoa de Varzim, havia nubentes oriundos de diversos locais do País: «148 noivos são indivíduos de fora da terra e 162 da terra (Póvoa)».

Repare-se na coincidência das naturalidades dos nubentes, indicadas no mapa de Portugal – Fig. 6 – extraído de «A Póvoa Antiga», de M. Amorim, páginas 87 e 88 (Viana, Esposende, Fão, Barcelos, Braga, Guimarães, Vila Real, Leça, Amarante, Porto, Aveiro, Buarcos (F. da Foz) e Lisboa e os dados geográficos onde a paramiloidose se encontra implantada, publicados no «DOSSIER» do Centro de Estudos de Paramiloidose, página 15, Quadro I, editado em 1983 – mapas nºs. 3 e 4.

  

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