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FEIRAS E MERCADOS
 
            Com o desenvolvimento da actividade marítima, regista-se como que um inflexão do litoral para o sertão.
            A testemunhá-lo temos a criação das primeiras feiras, que aparecem como consequência e necessidade organizativa do comércio entre o litoral e as povoações sertanejas. Da beira-mar chega o peixe e o sal e das lavouras interiores, o vinho, o azeite, o mel, as loiças, etc..
            Em cada povoação havia um mercado e destinava-se a abastecer os povoados dos artigos de alimentação diária e vestuário. As feiras põem em contacto o comércio local dos mercados com o comércio do País inteiro, efectuam-se periodicamente no espaço mínimo de 15 dias, numa localidade determinada e através delas distribuem-se os artigos de importação. A maioria das feiras realiza-se, regra geral, na ocasião das romarias ou festas de santos mais venerados. Mas, como as póvoas, é sobretudo a partir de D. Sancho I que as feiras se organizam.
            A mais antiga, que se conhece é a de Ponte de Lima – 1125[1].
            Seguem-se outras: Vila Nova (de Famalicão) – 1205, Guarda – 1255, Guimarães – 1258, Covilhã – 1260, Bragança – 1272, Porto - a. 1258, Lamego – 1292, Gaia – 1302, Viana – 1286, Braga – a 1307, Coimbra – 1377, Viseu – 1392, Barcelos – 1412, Montemor-o-Velho – 1426, etc., conforme se pode observar pelo mapa nº. 1, da página nº. 15.
            As feiras tiveram o seu auge no reinado de D. Afonso V e começaram a declinar a partir de D. Manuel I. Contudo, elas desempenharam um papel de relevo na formação desta unidade económica e espiritual que é a nação. Sofreram através dos tempos os efeitos da evolução económica e social do País. «Todavia, ainda hoje subsiste em Portugal o comércio errante, as feiras, os bufarinheiros e os feirantes. Ainda hoje as feiras representam o seu papel na economia da nação e vários produtos encontram nelas a melhor forma de colocação.» - Feiras Medievais Portuguesas, de Virgínia Rau..

                As feiras mobilizavam os mercadores e os feirantes que percorriam as cidades, as vilas e as povoações e lá permaneciam enquanto elas duravam, 8 dias, 15 ou 1 mês.

 

[1] RAU, Virgínia,  Feiras Medievais Portuguesas – subsídios para o seu estudo, Lisboa, Editorial Presença, 1982, pg. 63.

 

 

 

 

O mercado interno e a sua expansão vistos através de feiras e dos principais centros de comércio fixo permanente.
(De «A Evolução Económica de Portugal nos séculos XII a XV». Volume 10º. – pg. 123)
Fonte: Castro, Armando – História Económica de Portugal    II Volume, Lisboa, Editorial Caminho

pg. 224.

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